Vogue Brasil de setembro traz entrevista exclusiva com Miuccia Prada

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Em rara entrevista, diretora criativa da PRADA fala pela primeira vez a uma revista brasileira sobre criação, arte, feminismo e até mesmo cirurgia plástica

Miuccia Prada concedeu à diretora de conteúdo da Vogue Brasil, Silvia Rogar, sua primeira entrevista para uma publicação brasileira. Processo criativo, feminismo e seu relacionamento com a arte foram alguns assuntos que permearam a entrevista.Signora Prada, como é conhecida hoje na indústria fashion, também comentou a juventude, quando fez sua primeira viagem ao Brasil (aos 16 anos), formou-se em política e se envolveu com o comunismo. “Esse foi um grande problema para mim por muitos anos. Enquanto se lutava pelos direitos das mulheres, me tornar uma estilista parecia tomar o caminho oposto”, conta. “Hoje acho este um trabalho muito sério e complexo. (…) Sempre amei tanto esse trabalho que não tive dúvidas sobre continuar ou não nele.”

Sobre o feminismo ser assunto também nas discussões dentro da moda, Miuccia sempre acreditou que mulheres devem se vestir do jeito que quiserem, “Se elas quiserem sair na rua peladas, sexy, superestilosas, isso é fantástico, desde que seja por escolha própria. Não existem limites, o limite é você fazer o que gosta. Não para procurar marido rico, como costumo dizer de brincadeira. Amo a ideia de uma mulher corajosa, disse.

Mesmo após três décadas, as coleções de Miuccia continuam com uma visão muito particular do mundo. “Todos os meus desfiles respondem a um instinto do que sinto que é relevante na vida naquele momento.”. A estilista não tem regras para o que cria para PRADA ou MIU MIU e, apesar de criações recentes dialogarem luz sobre a onda da logomania, confessa que não gosta da palavra marca. “Acima de tudo, eu penso em moda. E às vezes somos criticados por não sermos brand-oriented. Detesto a palavra marca.”. Mas Signora Prada se importa com as reações dos desfiles, “Faço um trabalho que é como uma peça de teatro. Então é claro que eu me importo”. Sobre o clima de competição na moda, ela afirma que acontece até mesmo entre nomes experientes como o seu próprio. “Não tenho ciúmes dos bons, mas sinto raiva dos fakes, da apreciação do fake“, diz.

Quando tinha 39 anos, Miuccia teve seu primeiro filho com Patrizio Bertelli e agora diz que está gostando da ideia de envelhecer, sem nunca ter feito uma cirurgia plástica, “Nunca fiz um lifting ou algo do gênero porque não acho que você pareça um dia sequer mais jovem. Não quero soar intelectual, se visse algo que tivesse um grande resultado, eu o faria. Mas eu não vejo nada fantástico nisso”.

A Vogue Brasil de setembro chega às bancas a partir do dia 31 de agosto.




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