Protocolo de AVC no HMCC em Foz

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 Nunca me esquecerei do dia 30 de maio de 2017 nem mesmo daquela forte dor de cabeça que senti, algo que nunca havia sentido antes. Eu estava trabalhando quando essa dor começou. Achei que fosse pressão alta, mas mais tarde descobri que na verdade eu havia tido um AVC.” – Vanessa Carina Larssen, 30 anos.

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) atualmente é uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo, sendo que no país uma em cada seis pessoas sofre AVC. A doença, que também é conhecida como derrame, é caracterizada por um entupimento do fluxo sanguíneo em determinada área do cérebro, causando a morte de neurônios e ocasionando diversos problemas cerebrais, podendo levar à morte.

O neurocirurgião e doutor em Neurologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Elton Gomes da Silva explica que em Foz do Iguaçu esse índice é semelhante e o que mais preocupa é o desconhecimento das pessoas com relação ao diagnóstico e manejo de um paciente com AVC. “É mais fácil uma pessoa reconhecer outra que está sofrendo um ataque cardíaco do que um AVC. Com isso, buscamos conscientizar a população assistida pelo Hospital Ministro Costa Cavalcanti (HMCC), para que reconheça e trate de forma precoce estes pacientes”, explica.

Para isso, eles iniciaram a implantação do Protocolo de AVC no hospital com o objetivo de conscientizar as pessoas e os profissionais da área da saúde sobre a importância da rápida identificação de pacientes que sofreram AVC, para que tenham um atendimento rápido e eficaz, dando a possibilidade de reversão dos sintomas neurológicos da doença se houver uma atuação nas primeiras horas do início do quadro. “Cada minuto perdido neste atendimento representa milhões de neurônios perdidos, e buscamos com este protocolo evitar esta perda de tempo para o diagnóstico e tratamento”, destaca o médico.

Elton Gomes da Silva, médico no HMCC

Principais sintomas do AVC

Mais comum em pessoas acima de 65 anos, o AVC resulta de vários fatores como pressão alta ou diabetes mellitus não controlada, arritmia cardíaca, aumento de colesterol e/ou triglicerídeos no sangue, sedentarismo e obesidade. No entanto, pessoas mais jovens, mas que apresentam essas características, também correm o risco de sofrer um AVC.

“Os sintomas variam de acordo com o local acometido no cérebro, porém os casos mais comuns causam paralisia de um lado do corpo, desvio da boca para o lado e perda da fala. No entanto, em casos mais graves, os pacientes ficam acamados para o resto da vida e mais de 75% não retorna ao mercado de trabalho devido a essas sequelas”, alerta.

A importância da prevenção

Assim como toda doença grave, é importante buscar conhecimentos para se prevenir do AVC ou ao menos reconhecer os sintomas de forma rápida. “Os tratamentos avançaram ao longo dos anos. Há dez anos, o protocolo frisava o tratamento em no máximo três horas após o início dos sintomas; e hoje este tempo dobrou com a introdução de procedimentos endovasculares (uma espécie de cateterismo para os vasos cerebrais). No HMCC é para isso que trabalhamos, pois nossa maior satisfação é ver um paciente que estava acamado, com paralisia de um lado do corpo e sem conseguir falar, poder entrar no consultório, algumas semanas mais tarde, andando sem auxílio e falando espontaneamente, sem sequelas”, destaca.

Vanessa tem apenas 30 anos, e o AVC que sofreu foi devido a um problema cardíaco chamado Forame Oval Patente, que é uma abertura do coração. No entanto ela não teve nenhuma sequela, pois realizou atendimento dentro do prazo estipulado. “Graças ao rápido atendimento e aos medicamentos que me deram dentro do prazo de três horas após o AVC, eu não tive sequelas e hoje estou bem”, revela.

E o inesperado aconteceu. Meses mais tarde, Vanessa descobriu que estava grávida, mesmo não podendo engravidar. “Eu tomava medicações fortes e não poderia engravidar, mas aconteceu. Tomei um susto, pois descobri com quase três meses de gestação. No entanto, hoje a minha filha, que tem um pouco mais de um mês, está com a saúde perfeita”, comemora.

AVC isquêmico

Um coágulo bloqueia o fluxo sanguíneo para uma área do cérebro. É o tipo mais comum, responsável por 80% dos casos, que resulta em perda do movimento ou alteração de sensibilidade de um lado do corpo ou dificuldade para falar.

AVC hemorrágico

Nesse caso, o sangramento ocorre dentro ou ao redor do cérebro, representando menos de 20% das ocorrências.




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