Marcos Beato: 50 anos de Foz do Iguaçu

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Por: Paulo Bogler

Fotos: Arquivo pessoal 

Proprietário da Churrascaria Búfalo Branco tem uma vida dedicada ao turismo e à gastronomia

A atividade profissional em turismo entrou na vida do empresário Marcos Antonio Beato na década de 1960, quando ele começou a trabalhar na Rede Tropical de Hotéis, em São Paulo (SP), empresa que administrava o Hotel das Cataratas. Nesse período, vinha a Foz do Iguaçu em viagens periódicas a serviço, até transferir-se para cá por alguns meses, em 1968. Apegou-se com amor à cidade e nunca mais a deixou. Casou-se com Márcia Beato (em memória), com quem teve dois filhos: Rogério Beato e Marcos Beato Júnior.

Hoje, o empresário é proprietário da Churrascaria Búfalo Branco, que abriu em 1989 com o sócio Claudomiro Machado (em memória). O estabelecimento foi inaugurado na “raça”, lembra Beato, já que na época não havia disponibilidade de crédito, tampouco orientação empresarial. Foram anos de trabalho duro e confiança na expansão turística de Foz do Iguaçu para transformar a churrascaria em referência da gastronomia da região.

Os dez anos como funcionário do Hotel das Cataratas e o tempo de sociedade com o amigo Franz Kohlenberger (em memória) na Churrascaria Cabeça de Boi deram a Marcos Beato o preparo básico para começar a Búfalo Branco. Ele lembra, porém, que a inovação e o diferencial que ele e o sócio imprimiram já nos primeiros anos da churrascaria foram baseados na experiência empírica, percorrendo restaurantes em grandes centros brasileiros.

“Fomos pioneiros no serviço de churrascaria voltado para uma demanda mais exigente e qualificada. Oferecemos atendimento personalizado, baseado em cardápio de qualidade e diferenciado”, expõe Marcos Beato. O empresário revela que para abrir o empreendimento ele e seu sócio venderam uma fazenda, e o dinheiro foi empregado nas obras e na instalação da churrascaria.

Primeiros anos

Quando a Churrascaria Búfalo Branco foi inaugurada, o turismo de Foz do Iguaçu vivia um período de pujança, a atividade se modernizava e evoluía, muito diferente dos primeiros anos de Marcos Beato na cidade, no escritório do Hotel Cataratas, onde trabalhava e morava. Os anos 60 ainda eram tempos de muita precariedade, rememora o empresário.

A energia do Hotel das Cataratas, por exemplo, era gerada pela Usina São João, interrompida por qualquer chuvinha. Não havia ônibus para o transporte dos funcionários, demanda resolvida somente anos mais tarde quando a Viação Morena implantou a linha de uma lotação. Por outro lado, Beato pôde vivenciar parte importante da história de Foz do Iguaçu e acontecimentos que marcaram a geopolítica do Brasil e dos países vizinhos.

Nos anos 1970, ocorreram em Foz do Iguaçu várias agendas entre os presidentes do Brasil e do Paraguai para tratar da inauguração da Ponte Internacional da Amizade e da construção da Itaipu Binacional. O Hotel das Cataratas atendia os hóspedes ilustres, e seus esquemas de segurança alteravam completamente a rotina de serviços do hotel. “Conheci todos os presidentes militares, menos o Castelo Branco”, conta Marcos Beato.

“Durante encontro dos presidentes no Hotel das Cataratas, não havia telefone. Lembro que os militares instalaram uma torre no hotel para as comitivas presidenciais”, relembra. “Fui incumbido de ligar várias vezes ao dia para a minha família em São Paulo, para testar o sistema. Nunca falei tanto com os meus familiares como naquele tempo”, diverte-se com as lembranças.

Foz, cidade-turismo

Atuando no meio como funcionário ou empresário desde os anos 60, Marcos Beato acompanhou o crescimento de Foz do Iguaçu, a diversificação dos atrativos e a qualificação da hotelaria e da gastronomia. Ele não apenas viu a expansão do turismo como foi um dos protagonistas dessas mudanças e melhorias, como funcionário e como empresário desse segmento vital para a economia da região trinacional.

Quando investiu praticamente todo o seu patrimônio para abrir a Churrascaria Búfalo Branco, Beato já vislumbrava a pujança do turismo na cidade e, por isso, percebeu a necessidade de apostar alto na qualificação do atendimento, excelência adquirida com o tempo e que hoje é um diferencial do estabelecimento. “Enfrentamos muitas dificuldades na época, não havia técnico a empresário. Fizemos tudo na experiência”, frisa.

O atual cenário do turismo de Foz do Iguaçu carrega as marcas e a contribuição do trabalho, pioneirismo e empreendedorismo de Marcos Beato e de sua geração que acreditou na cidade. Ao olhar hoje essa atividade em franca expansão, Beato faz um recorte histórico do período posterior à implantação da Gestão Integrada do Turismo, que congrega esforços para fomentar o setor.

“As instituições passaram a convergir para divulgar e desenvolver o turismo da cidade. Além de investimentos públicos e privados no setor, foram realizadas várias campanhas promocionais que colocaram Foz do Iguaçu em evidência para o mundo”, reflete. “Basta comparar os números: saltamos de 750 mil visitantes ao ano para quase dois milhões em dez anos”, celebra.

Para Beato, o turismo é o presente e o futuro de Foz do Iguaçu. “Há quase 50 anos, quando cheguei aqui e contemplei as Cataratas do Iguaçu pela primeira vez, logo pensei: todo mundo vai querer admirar essa maravilha. E continuo pensando que daqui para frente será ainda melhor”, revela. “Temos que acreditar sempre e projetar os planos para o futuro”, conclui.

O empresário da gastronomia Marcos Beato completará 75 anos no dia 23 de novembro. Casado com Rose Tosi Beato, ele permanece à frente da administração da Churrascaria Búfalo Branco, que gerencia juntamente com a esposa e Laércio Machado, filho do saudoso Claudomiro Machado, um dos sócios-fundadores da conceituada churrascaria.

Beato tem 50 anos de vida dedicados ao desenvolvimento de Foz do Iguaçu. Trabalho, ética e compromisso com a coletividade são suas referências, marcas reconhecidas entre todos que conhecem ou convivem com o empresário. Ele segue edificando com alegria, dedicação, energia e o mesmo olhar sonhador com que viu as Cataratas do Iguaçu pela primeira vez há meio século, fazendo-o apaixonar-se por esta cidade.




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