Livro resgata a história de pessoas que lutam pela preservação da harpia no Brasil

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Projeto Harpia 20 anos foi lançado dentro da programação do 1º Workshop para Conservação Integrada da Harpia. Obra tem patrocínio de Itaipu.

Por trás de tabelas, cálculos e experimentos científicos, as pessoas. São as histórias dos pesquisadores e a sua paixão pela natureza o fio que conduz o leitor pelo livro Projeto Harpia 20 anos (Editora Nitro), lançado na noite de segunda-feira (8), no Parque das Aves, dentro da programação do 1º Workshop para Conservação Integrada da Harpia.

Com patrocínio de Itaipu Binacional, a obra dos jornalistas mineiros João Marcos Rosa e Gustavo Nolasco percorre os mesmos caminhos de profissionais que ajudaram a estruturar uma das iniciativas mais importantes para a conservação da espécie do Brasil – o Projeto Harpia, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e parceiros.

Dois personagens dessa narrativa trabalham no Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), em Foz do Iguaçu: o médico veterinário Wanderlei de Moraes e o biólogo Marcos José de Oliveira, ambos da Divisão de Áreas Protegidas de Itaipu. Parceiro do Projeto Harpia, o refúgio se tornou modelo na reprodução do gavião-real (como a ave também é conhecida) em cativeiro.

“A história do Wanderlei e do Marcos é uma história de muitos anos dedicados à espécie. E ambos, com o apoio de Itaipu, conseguiram conectar o trabalho [de reprodução] com outros núcleos do projeto, cientistas e instituições espalhados pelo Brasil, o que foi muito importante para a preservação da harpia e fortalecimento do projeto”, afirmou Gustavo Nolasco.

O superintendente de Gestão Ambiental de Itaipu, Ariel Scheffer da Silva, definiu a obra como “um trabalho humano, que não conta uma história científica, mas de um grupo engajado com uma causa e com uma espécie”. “Devemos a essas pessoas os resultados alcançados com a pesquisa e a conservação.”

Coordenadora do Projeto Harpia, Tânia Sanaiotti lembrou que há 20 anos pouco se falava em proteger a ave no Brasil. De lá para cá, as pesquisas evoluíram, tanto a conservação in situ (no lugar de origem, exemplo da região amazônica), como ex situ (fora do lugar natural, em cativeiro – caso de Itaipu).

Descrita no prefácio como “meio-mulher, meio-harpia”, devido ao engajamento e a paixão pela causa, Tânia disse que “é fantástico colocar sentimentos, expressões e experiências de quem está [lutando pela preservação da harpia] desde o início”. “São pessoas de todo o Brasil e que se encontraram ao longo da jornada.”

O livro relata a chegada da primeira harpia ao Refúgio Biológico, em 2000. A ave fora encontrada por policiais ambientais abandonada numa caixa de papel, perto da fronteira com a Argentina – provavelmente um descarte às pressas feito por traficantes de animais.

“É maravilhoso participar dessa história. O Wanderlei e eu estamos desde o início e criamos um modelo único no mundo, de criação de harpia. É justamente este modelo que a gente quer passar para outras instituições”, comentou Marcos.

Por enquanto, a obra será distribuída apenas para parceiros e entidades ligadas à preservação do meio ambiente.

Workshop

O 1º Workshop para Conservação Integrada da Harpia segue até esta quinta-feira (11), com atividades no Parque Nacional do Iguaçu e Refúgio Biológico Bela Vista. A promoção é do Projeto Harpia e do Conservation Planning Specialist Group (CPSG), que tem projetos de conservação de espécies em todo o mundo. O objetivo é reunir especialistas do Brasil e do exterior para discutir a elaboração de um programa de manejo colaborativo, com a participação das entidades mantenedoras da harpia  no País.

 

Foto: Nilton Rolin | Itaipu Binacional




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